Eu colecciono, tu coleccionas, nós coleccionamosOs checos
é uma paixão. Aqueles que se apaixonaram por ela não conseguem imaginar a sua vida sem ela e dificilmente trocariam o seu estilo de vida por outro. Para muitos deles, é um credo de vida, mas também um sentido de algum tipo de perspetiva no domínio a que se dedicam. Basta ir ao encontro de filatelistas ou de coleccionadores de rótulos de cerveja e ficará surpreendido com os conhecimentos que possuem.
Existem vários milhares de coleccionadores de discos de vinil na República Checa. Mas não se trata apenas de peças de museu numa vitrina empoeirada; a música e a palavra falada são muitas vezes perseguidas com um gosto nostálgico só experimentado por quem alguma vez sentou aquele disco de plástico preto com entalhes num gira-discos e colocou uma agulha de transferência na sua extremidade.
Museu da Música de Tábor
Um dos entusiastas é também um natural da Boémia do Sul, Pavel Neufus. Aos catorze anos, começou a fazer as suas primeiras peças, quando os Beatles dominavam o mundo e o fim da década de 1960 estava iminente. Nessa altura, as produções estrangeiras ainda eram comuns nas prateleiras das lojas checas, mas nos anos 70, durante o período de normalização, foram gradualmente retiradas da venda e os coleccionadores encontravam-se cada vez mais secretamente nos mercados negros. Os jovens consideravam a música estrangeira “ocidental” como um desafio contra o poder político da época, as trocas eram muitas vezes invadidas pela polícia (Segurança Pública) e podia-se ter um Queen destes debaixo do braço por 250 CZK (o que equivale a cerca de 4000 CZK à taxa de câmbio atual).
O Sr. Neufus acabou por emigrar para os EUA alguns anos mais tarde e continuou a sua paixão lá, mas não tinha tanto dinheiro e os discos demoravam a chegar. A maior parte dos discos foi acumulada na década de 1990, altura em que pôde regressar ao país e instalou-se em Tábor. A coleção cresceu rapidamente à medida que as pessoas se livravam dos discos de vinil, tal como fizeram com a loiça de porcelana nos anos 70, quando o mercado era dominado pelo plástico. Depois da Revolução de Veludo, começou a famosa era dos CD e quase não houve interesse pelo vinil. Parecia que, no início do milénio, os discos iriam desaparecer completamente, mas foi o contrário que aconteceu. Hoje, o vinil está de novo na moda e no Museu da Música de Tábor pode ver-se um milhão de discos, alguns dos quais são mesmo peças únicas muito valiosas.
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